“Resistir exige corpo, mente e afeto: o encontro das mulheres da CTB em Curitiba”
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No dia 31 de março de 2026, a sede da FETAEP, em Curitiba, foi palco de um encontro que transcendeu a agenda sindical tradicional. Reunidas pelo Coletivo Nacional de Mulheres da CTB (Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil), entre dirigentes sindicais, lideranças de movimentos sociais, representantes da União Brasileira de Mulheres (UBM) e ativistas de base, ocuparam o espaço para um exercício profundo de escuta, partilha e construção coletiva.
O encontro aconteceu em um momento histórico delicado, no qual retrocessos nos direitos das trabalhadoras e ataques à democracia ampliam a sobrecarga já imposta às mulheres. Mas, ao contrário de um evento formal de pautas fechadas, a proposta foi outra: criar um território de fala e acolhimento onde o feminismo emancipatório pudesse ser vivido na prática, longe de dogmas e perto das dores reais.
A participação da dirigente de formação sindical Sara Caroline esteve presente no evento, os trabalhos trouxe à tona uma contradição ainda pouco visibilizada: mesmo ocupando espaços de liderança, as mulheres seguem acumulando jornadas triplas.
Durante os debates, emergiram com força as falas sobre a sobrecarga mental e física — aquela que não bate ponto, mas tem o cuidado da casa que também é um trabalho invisibilizado e que adoece. Mulheres que conciliam as lideranças sindicais pela manhã, mães trabalhadoras, mães periféricas e cuidadoras à noite e, muitas vezes, mães solo, mães pretas, mães atípicas, que também as pessoas LGBT+, e que enfrentam a solidão de não caber em lugares que insistem em separar gênero, raça, classe e orientação sexual.
A partilha de experiências foi o coração do evento. Cada relato — de uma greve vencida, de um filho deixado em casa sem creche, de uma fila no posto de saúde, de um assédio silenciado, de uma luta jurídica por reconhecimento de direitos — foi acolhido sem pressa, sem julgamento. Ali, o feminismo não foi uma teoria distante, mas uma costura de resistências cotidianas.
Entre um café e um abraço, reafirmou-se que a luta pela liberdade das mulheres não pode ser abstrata. É concreta: passa pelo fim da sobrecarga invisível, pelo reconhecimento do trabalho de cuidado, pelo combate ao racismo e à LGBTfobia, e por políticas públicas que enxerguem quem sustenta a vida enquanto luta por ela.
Ao final, ficou a certeza de que continuamos resistindo — não apesar das dores, mas com elas como combustível. E que encontros como esse, onde se compartilham dores e se constroem acolhimentos, são atos políticos tão importantes quanto uma ocupação de rua ou uma pauta de negociação. Porque, como ecoou na sede da FETAEP naquele 31 de março: nenhuma mulher liberta se liberta sozinha. E nenhuma liderança sustentável se faz sem cuidado, afeto e escuta.
A luta segue. E segue coletivas
Texto: Sara Caroline - Secretária de Formação Sindical
Fotografia: @jqueiroz2










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