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Inclusão sem esgotamento: SISMMAP debate direitos e desafios da educação inclusiva

  • 9 de mai.
  • 4 min de leitura

No dia 24 de abril, o SISMMAP, em parceria com oDepartamento de Formação Continuada - Semedi, realizou um encontro marcante e necessário. Com o tema “Inclusão sem esgotamento: estratégias reais para uma sala de aula que funcione para todos”, o evento aconteceu em um contexto simbólico: o mês de conscientização mundial sobre o autismo. Mais do que palestras, foi um espaço de troca de experiências, acolhimento e construção coletiva – ainda que os desafios estruturais da educação pública tenham se feito presentes, inclusive na própria participação.


A formação continuada de professoras é uma das principais ferramentas de valorização e qualificação do trabalho que reflete diretamente no chão da escola. No entanto, como lembrado durante o encontro, a qualidade da educação inclusiva não depende apenas da boa vontade ou do preparo individual da docente. Ela exige políticas públicas consolidadas: salas sem superlotação,profissionais de apoio escolar, plano de carreira, concurso público e fortalecimento do vínculo entre família e escola.


O SISMMAP tem reiterado que seu compromisso não é meramente materialista. A luta do sindicato é pela garantia de todos os direitos que ampliam a classe trabalhadora docente – e a formação continuada, gratuita e de qualidade, é uma dessas bandeiras centrais, construída em parceria com o Departamento de Formação Continuada da SEMEDI e com a chefia Luciane Bonafim, que também trouxe sua fala sobre a importância de qualificar os professores para uma educação verdadeiramente inclusiva.


O direito à inclusão e o peso das leis

Antes de qualquer estratégia, é preciso lembrar: a inclusão escolar de crianças atípicas e neurodivergentes é um direito garantido por lei. Segundo a professora Amábile durante sua fala, afirma que a Política Nacional de Educação Especial na Perspectiva da Educação Inclusiva representa um novo marco teórico e político da educação brasileira, definindo a educação especial como modalidade não substitutiva à escolarização; o conceito de atendimento educacional especializado complementar ou suplementar à formação dos estudantes; e o público-alvo da educação especial constituído pelos estudantes com deficiência, transtornos globais do desenvolvimento e altas habilidades/superdotação.


No entanto, entre a lei e a sala de aula, há um abismo que só se resolve com investimento público, formação e, principalmente, valorização profissional. Como destacaram as convidadas, conviver na diversidade não é apenas cumprir um protocolo – é aprender a ser humano. E isso exige condições de trabalho dignas.


Falas que marcaram: acolhimento, conhecimento e experiência materna


O encontro contou com vozes potentes e comprometidas com a educação pública:


Professora Amabile Marchi – Especialista em Educação Especial na perspectiva Inclusiva, mãe de dois filhos autistas, professora da rede pública estadual, especialista em autismo e presidente da UPPA (União de Pais pelo Autismo). Sua fala trouxe a força de quem vive a dupla jornada: a luta dentro de casa e dentro da escola e sobre as leis principais que norteiam a educação inclusiva e os direitos de neurodivergentes. Logo a baixo o link do site,rede sociais e link de uma matéria indicado pela Amabile Marchi:


Silvia de Ross – mãe atípica, pedagoga, historiadora, mestre, doutora e pós-doutora em Educação, professora da Unespar (campus de Paranaguá), com atuação em Práticas Pedagógicas e Metodologias de Ensino. Silvia conectou a teoria acadêmica à urgência do cotidiano escolar. Link indicado pela dra. Silvia com exemplos de práticas e de que a parceria entre escola com a família faz toda a diferença.


Psicóloga Thalita Nascimento Ribeiro – que trouxe o olhar clínico sobre as práticas e intervenções em sala de aula com os alunos e a família, o esgotamento docente e a importância do cuidado com quem cuida.


Cada uma, à sua maneira, reforçou um ponto central: não há inclusão que funcione se o professor estiver adoecido, isolado ou sem suporte de trabalho digno.

 

Um encontro com poucos, mas com muita resistência


O evento foi construído como um convite aberto e democrático. No entanto, a realidade da rede públicamunicipal novamente se impôs: a falta de professores é o reflexo da ausência de concurso público, pois impediram que muitas professoras pudessem participar, não por falta de interesse, mas por absoluta impossibilidade de se ausentar da sala de aula ou de conseguir substituição.


O SISMMAP jamais deixará de olhar para essa contradição: cobra-se formação continuada, mas não se garante condições mínimas para que o professor se forme. Enquanto não houver concurso público para ampliar o quadro efetivo, a formação continuada se fará superando barreiras e o chão da escola continuará sobrecarregado.


Apesar disso, as professoras que estiveram presentes demonstraram o que há de mais bonito na profissão: persistência, sede de aprender, generosidade para partilhar e coragem para resistir. Mesmo diante de barreiras, elas ocuparam aquele espaço como um ato simbólico da coragem.


Conclusão: formação como direito, resistência como caminho


O encontro do dia 24 de abril foi muito mais do que uma capacitação. Foi um lembrete vivo de que a educação inclusiva só será real quando os professores forem tratados como sujeitos de direito – com dignidade, carga horária justa, apoio multiprofissional e, sim, tempo e condições para estudar e se atualizar.


O SISMMAP segue firme na luta por concurso público, por valorização e por formação continuada para todas e todos. Porque uma sala de aula que funciona para todos começa com um professor que tem condições de trabalhar, aprender e resistir.



Realização: SISMMAP e Departamento de Formação

Apoio: Departamento de Formação Continuada – SEMEDI

Parceria: UPPA – União de Pais pelo Autismo

Texto: Sara Caroline

Fotos: SEMEDI



 
 
 

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