Formação Continuada: Um Direito Estruturante para a Valorização Docente em Paranaguá.
- 12 de mar.
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A formação continuada dos professores e educadores não pode ser tratada como um mero benefício ou atualização esporádica; ela é um direito estruturante para a qualidade da educação pública. Em Paranaguá, esse direito se materializa em duas frentes complementares: a legal e a sindical. No âmbito da Lei Municipal, especificamente no Plano de Carreira do Magistério, a formação é a chave para a progressão horizontal, permitindo que o docente avance na carreira e tenha reconhecimento salarial ao apresentar títulos de pós-graduação, mestrado e doutorado. Além disso, a existência de um Departamento de Formação Continuada na Secretaria Municipal de Educação garante o acesso universal a esses programas, alinhando a prática pedagógica às diretrizes da LDB (Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional, Lei nº 12.796/2013 e Lei nº 14.817/2024 – Valoriza os profissionais da educação pública e regulamenta a educação básica obrigatória e gratuita).
Paralelamente, a atuação do SISMMAP (Sindicato dos Servidores do Magistério Municipal de Paranaguá) é fundamental para assegurar que esse direito não seja negligenciado. O sindicato historicamente pauta a formação continuada em suas negociações e debates sobre o plano de carreira, entendendo que a valorização profissional passa diretamente pela qualificação. A formação é, portanto, um direito que conecta o desenvolvimento profissional do educador à melhoria da aprendizagem dos alunos. Defender a formação garantida em lei e no estatuto sindical é lutar contra a precarização do ensino e investir em uma educação pública de qualidade, reconhecendo que professores bem formados são agentes de transformação social. Pautar esse direito é exigir que a teoria da lei se converta em prática efetiva nas escolas do município.
Na manhã de sábado, 7 de março de 2026, através da dirigente de formação sindical Sara Caroline do Sismmap, organizou um encontro com as educadoras do Programa Proleei participaram de uma visita ao espaço cultural caiçara, em parceria com a Associação Mandicuera. A ação deu continuidade a um movimento iniciado em dezembro, quando uma primeira visita buscou ampliar os espaços de formação continuada. Desta vez, o objetivo foi dialogar com a doutoranda Lilian Sarraff do Projeto Escola Caiçara, fortalecendo a troca de saberes sobre a cultura local.
A roda de conversa, que ganhou contornos de um café literário, discutiu a importância de inserir a cultura caiçara na prática pedagógica desde a educação infantil até o ensino médio. As educadoras refletiram sobre como esse enfoque impacta a conscientização dos estudantes e a própria formação das professoras, promovendo uma educação mais enraizada e significativa. O encontro reafirmou que a valorização da cultura popular é caminho essencial para uma prática docente crítica e transformadora, conectando o currículo escolar à identidade comunitária.
"O homem que transforma com o trabalho e a consciência partes, frações, momentos e espaços da natureza em invenções de sua cultura, transforma partes das inúmeras reciprocidades realizadas no interior de uma cultura em situações sociais de aprender-ensinar-e-aprender em educação.” BRANDÃO, 1982.
Sobrecarga e luta: a voz das professoras e educadoras no Dia da Mulher em Paranaguá
Na tarde de sábado no dia 8 de março de 2026, o Dia Internacional da Mulher foi celebrado em Paranaguá no Aeroparque, organizado pelo Conselho Municipal dos Direitos da Mulher, União Brasileira de Mulheres (UBM), Marcha das Mulheres, Parananguarte, Casa Hortelã, Nucleo de Direitos Humandos Marielle Franco e colaboração do SISMMAP, APP sindicato e da Pastoral da AIDS, com a participação de entidades e coletivos sociais em uma tarde de mobilização, cultura e debate sobre a violência que enfrentamos atualmente em nossa cidade. O evento contou com a presença do Sindicato Sismmap, representado pela dirigente de formação sindical Sara Caroline, que levantou discussões sobre a saúde mental das professoras. Elas enfrentam diversas demandas, como a sobrecarga em sua jornada dupla ou tripla, já que muitas vezes precisam dividir seu tempo entre os papéis de profissional, mãe, companheira, cuidadora e, não raro, responsável financeira, chefe e principal fonte de renda do lar.
Um dos pontos destacados foi o impacto dessa sobrecarga na saúde mental, exemplificado por situações como salas superlotadas, falta de professores para garantir a hora atividade ou até mesmo o direito à formação contínua. "Estamos adoecendo em sala de aula", alertou Sara, lembrando que isso resulta em afastamentos de funcionários e na precarização da mão de obra. O concurso público seria uma das soluções para suprir essa logística, garantindo às professoras direitos que refletem em qualidade de vida, como a possibilidade de se ausentar para cuidar da saúde mental e ter dignidade no trabalho.
O sindicato reafirma seu compromisso com a classe, mas ressalta que, como professoras, precisamos nos organizar e fortalecer, além de ter acesso à informação sobre quem realmente defende a mulher trabalhadora. Diante disso, fica o questionamento: o que queremos construir para ter dignidade e respeito em nosso trabalho? Precisamos de mais informação ou de nos organizar como mulheres fortes para conquistar espaços com direitos e dignidade? Acreditamos que se trata de um conjunto de fatos e demandas que recaem sobre as mulheres trabalhadoras, especialmente as que enfrentam a tripla jornada.










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